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Ainda falta um ano ou já só falta um ano?
05Out2012 12:02:28
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Passaram três anos do presente mandato autárquico, caracterizado por ser a primeira experiência governativa do Partido Socialista, em Barcelos.

A esta distância das eleições, só um milagre salvará a gestão do PS de ser considerada decepcionante, um acto falhado. Barcelos parou.

É sabido que muitos eleitores votaram PS, em 2009, cientes que a equipa socialista nada traria de novo ao concelho, não protagonizaria uma verdadeira mudança nos seus destinos. Esses simplesmente votaram contra o PSD, apostando no afastamento de Fernando Reis.

Os que votaram acreditando e esperando que o PS faria mais e melhor, pondo no terreno uma inovadora estratégia de desenvolvimento, cedo começaram a desconfiar da capacidade e competência do executivo socialista para concretizar esse objectivo.

Os socialistas basearam a sua táctica na identificação de um inimigo externo: a gestão do PSD e a sua “pesada herança”. Para tudo o que não conseguiam executar, para tudo o que corria menos bem, a culpa era do passado.

Esta fórmula de propaganda está gasta e já não consegue disfarçar, aos olhos dos barcelenses, uma actuação inoperante, frustrante, eivada dos vícios das máquinas de poder partidárias.

É verdade que tiveram que lidar com processos complexos, como a Parceria Público Privada e a Concessão das Águas. Mas por que é que, reiteradamente, e sem saberem se teriam condições para o concretizar, prometeram reduzir o custo da água para metade? Por que, como era claro e vítreo, tal promessa granjeava votos? Lembram-se de um recente primeiro ministro, também ele do PS, prometer 150 mil empregos? A táctica é a mesma e vai surtindo efeito. Chama-se demagogia. A arte de  agradar ao povo usada, apenas, para conquistar o poder. Há quem dela fale amiúde.  Mas, sempre e só, para depreciar a actuação de quem não é afecto ao executivo socialista. Já ninguém estranha, tal a recorrência e a objectividade da opinião.                                                

Mesmo assim, nem os munícipes mais descrentes, pensariam que, passados três anos, o Teatro Gil Vicente continuaria fechado. O Museu do Rio continuaria votado ao abandono. A  Circular à cidade não avançaria nem um metro. O Nó de Sta Eugénia continuaria a não existir. A Frente Ribeirinha em vez de progredir, regrediria, permitindo-se a degradação da obra que receberam. Os acessos ao IPCA permaneceriam caóticos, com a agravante de  terem rasgado um bom projecto,  aprovado por todas as entidades, para optarem por um remendo. O acesso da cidade à Central de Camionagem não passaria de uma miragem. O PDM continuaria no “segredo dos deuses”, certamente para ser defendido dos “interesses instalados”. O Centro Histórico seria ignorado. Extinguiram o corrrespondente Gabinete, mas  alternativa não existe. O estado calamitoso do quarteirão, à saída da ponte medieval, do lado direito, é um exemplo gritante do desleixo reinante. Mais exemplos poderiam ser apresentados para documentar o estado de coma em que a maioria socialista  induziu o concelho.

As desculpas oficiais são várias: a crise, a falta de dinheiro, os cortes impostos pelo governo e, claro, o mais determinante, “a pesada herança”. Desculpas que não colhem porque quando se trata de gastar com empresas de comunicação, propaganda, assalariados “políticos”, assessorias, empresas de consultadoria, etc., o dinheiro corre a jorros dos cofres municipais.

Maior decepção causa não terem posto sequer em prática coisas que nem dinheiro custam.

Enquanto não extinguiam ou fundiam as Empresas Municipais (E.M) esperava-se que todos os lugares dos Conselhos de Administração fossem ocupados pelos vereadores eleitos, em vez dos habituais comissários políticos. Era o mínimo que o PS podia fazer depois de duras e sistemáticas críticas, enquanto oposição, ao modelo “clientelista e despesista”das E.M. Mas o rigor na gestão dos dinheiros públicos, deixava a clientela do P.S. descontente. 

Esperava-se que fossem sensatos e comedidos nas nomeações de pessoal político. Para quem tão cáusticamente zurziu o PSD por via das nomeações, não deixa de ser caricato tenha nomeados em maior número. Dane-se a coerência e o rigor. Entre gerir com critério as receitas dos contribuintes ou agradar aos apaniguados, a escolha foi fácil. Está à vista. 

Esperava-se que, no mínimo, mantivessem a qualidade de funcionamento dos serviços municipais. Nem isso conseguiram. Nuns casos, por acção, noutros por omissão lá se foi assistindo à sua degradação.

Aos directórios partidários que comandam e pautam o modus operandi  da Administração Pública e tudo subordinam à defesa dos seus privilégios, interessa-lhes que todos sejam iguais, que todos “estejam no mesmo barco” para que o sistema se perpetue na alternância. E se alguém ousa afrontar este status quo, é demagogo. Como diz o povo, “os rapazes não atiram pedras  à fruta podre”.

Muitos pensarão e outros querem fazer crer que, pelo menos, o PS afastou Fernando Reis. Mas basta uma perfunctória análise do resultado das eleições de 2009 para concluir que esse foi trabalho do eleitorado. De quem tanto prometeu, esperava-se mais. Muito mais.



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